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Jornada do Herói com a PNL

2ª. Estação: O chamado para à aventura (O mundo vai ser quebrado)

A contra gosto, fui chamada à aventura. A rotina foi quebrada por algo inesperado, insólito e incomum. Esta quebra na normalidade me obriga a conviver com as frustrações. Despeço-me da infância e entro no mundo sombrio e desconhecido, inseguro, tendo de buscar o sustento material.  Tenho medo de ficar presa no mundo de necessidades e perder de vista meus sonhos, ou aquilo que tem real importância.

Passada a fase da infância, os acontecimentos me apontavam para entrar em outra fase que marcava o início do amadurecimento que não é nada mais, nada menos do que a capacidade de se adaptar aquilo que ainda não temos capacidade para transformar.  

Antigamente eu era o centro do mundo e agora, com a chegada na família, de um filho homem, meu pai concentrou todos os olhares e atenção para meu irmão, deixando-me em segundo plano.  Encantado com a experiência de ter um filho homem, me fez sentir apenas como um acessório descartável.   

Vivenciei a primeira morte ao matar dentro de mim a condição de filha única, para renascer a irmã. Somente mais tarde iria aprender que a morte só perde para o renascimento, mas naquele momento, com poucos recursos emocionais, vivi então a primeira sensação de ser preterida, de ver meu irmão sendo o queridinho do papai, e instalei a primeira crença limitante que só fez piorar a sensação de abandono. 

Passei a acreditar que “filha mulher não é amada pelos pais”. Esta crença me fazia triste e com raiva de ter nascido mulher. Rejeitei a boneca e mesmo quando me tornei mãe, valorizei mais os filhos homens do que as filhas mulheres. 

Carreguei esta tristeza de uma suposta condição inferior, por muito anos, durante os trinta e quatro anos seguintes, desprezei a condição feminina.

Refúgio

Na época, para aliviar a carência de afeto, como uma forma de compensação psicológica, recorri ao mundo dos livros para focar minha mente na descoberta de informações, histórias, conhecimentos e assim, tornei-me primeira aluna da classe e ganhei a admiração de professores e colegas. 

Recorri ao mundo dos livros para focar minha mente na descoberta de informações

Crescia como pessoa, na medida em que criava formas para superar as carências. Somente muito tempo depois, aos quarenta anos de idade, aprendi com a Programação Neurolinguística – PNL uma técnica de desconstrução de crenças limitantes e a partir daí, comecei a entender a beleza e a delicadeza do feminino dentro de mim.  

Reaprendi a ver na mulher a força aglutinadora do amor.  Refiz minha história de vida aceitando minha parte feminina, reeditando as cenas em que supunha que estava sendo rejeitada pelo meu pai, venci o dragão que me consumia com seu fogo ardente. 

Retornando novamente ao passado, especificamente ao sentimento de rejeição, quando meus pais resolveram dar um fim ao juramento de “unidos para sempre”, tive outros chamados para o crescimento com a chegada da segunda decepção com a separação dos pais e demolição do lar e a falta de dinheiro, e toda uma instabilidade emocional.

Era a hora de enfrentar outro dragão chamado apego aos confortos: quarto com aquecedores,  geladeira com comida, a enciclopédia Barsa, bons colégios e agasalhos.

A realidade era o frio das ruas e a dor do estômago vazio. Perdemos a casa, com tudo que havia dentro pois meu pai, em um acesso de raiva, nos expulsou de casa, não poupou nem o meu irmão, e minha mãe sem parentes e recursos, nos alojou em um viaduto, onde dormimos enrolados em jornal para diminuir o frio. Tudo ficou para traz e quanto mais eu me lembrava do que tinha perdido, mais aumentava a dor.     

O Inconsciente 

Para amenizar a sensação de sofrimento, utilizei inconscientemente como um mecanismo de defesa, uma técnica que a PNL da dissociação do problema e associação à solução.

A técnica consistia em formar uma imagem mental de tudo que eu precisava me desapegar de forma dissociada, ou seja: como se a cena estivesse acontecendo em um palco e eu sentada na plateia na condição de espectadora. Ao criar uma cena mental dissociada, a emoção desagradável tornava-se menor. Ao criar cenas desagradáveis dentro da tela da minha mente, sempre fazia de maneira a me imaginar sentada na plateia longe do palco, o mais longe que  eu pudesse ficar, pois quanto mais longe, menor será a sensação. 

Ao criar uma cena mental dissociada, a emoção desagradável tornava-se menor

Assim, usando de um recurso mental,  conseguir suavizar a dor de deixar tudo para traz, menos a coleção completa da Enciclopédia Barsa que levei comigo, arrastando pelo chão, envolta em uma colcha grossa e amarrada em um cinto. Encontrei forças para levar os livros, fazendo a técnica da associação, ou seja, eu me associava vendo as palavras do livro aberto na minha frente, ouvindo minha voz lendo as informações, e minha mente assimilando o conhecimento e sentia uma enorme satisfação. 

Passei a me dissociar do peso de carregar os livros, e me associava a satisfação do conhecimento adquirido, cada vez mais, forças para manter os livros perto de mim,  pois se o peso do papel era grande, o valor do conhecimento era maior ainda. 

A Ponte para o Futuro

Saltei da infância, para fase adulta, sem passar pela adolescência. Quando fiz o curso PNL, descobri que usei, empiricamente, outra técnica mental chamada ponte para o futuro, na qual me associava às cenas imaginadas no futuro de como gostaria de estar após conseguir o objetivo.

Ponte para o futuro

As vicissitudes advindas da falta de dinheiro, comida, teto, eu as imaginava como cenas passageiras e, deitada em um banco de praça pública, criava na  mente cenas  futuras, e dizia internamente, que “a situação de desamparo é passageira”, “é somente uma fase”, e criava cenas futuras, onde dormia em uma cama olhando para o teto de um quarto.

Este sonho movia os meus músculos no dia seguinte a caminhar para procurar trabalho, ou pedir esmolas, mas sempre com a ideia de que aquele momento não ia durar para sempre.   

Minha mente era preenchida com cenas de objetivos futuros já concretizados, e eles fortaleciam meus músculos, braços e pernas.

A técnica da PNL  de automotivação consiste em encarar o presente tal como ele é, mas em se concentrar na cena do objetivo futuro já alcançado e imaginá-la com cores,  como se fosse um filme, ou seja, em movimento.

E assim, criava a cena de estar lendo meu nome na lista de aprovada no vestibular, e também, outra cena vendo minha carteira profissional sendo assinada e eu iniciando no meu primeiro emprego. Estas cenas imaginadas com muita luz, cor e movimentos funcionavam como estímulos que eram alimentadas diariamente, junto com os primeiros raios do sol, todas as manhãs.

Dentro de nós

Anos depois, ao fazer o curso de Neurolinguística, tomei consciência de um pressuposto da PNL de que “Todos temos todos os recursos de que necessitamos para vencer quaisquer desafios”. O acesso aos recursos são feitos usando a imaginação, pois o neurônio – célula do sistema nervoso, dispara estados correspondentes ao temos a capacidade de imaginar, e desta forma podemos criar as melhores condições internas para ter disciplina e persistência e concretizar  os objetivos;  e foi exatamente o que aconteceu.

Estudava com uma apostila emprestada, de noite em um poste de praça pública, por falta de energia elétrica em casa, e consegui, finalmente passar no concurso de um banco público.  

Ao participar do curso de PNL, descobri o quanto acessei , nos piores momentos da vida, a técnica da dissociação para diminuir a sensação de dor no presente, e a criar mentalmente os melhores momentos, e me associar a tudo de bom para aumentar a alegria com a concretização de objetivos futuros.   

Atualmente, eu uso a técnica dentro de uma consciência, e me associo a todos os momentos bons, como o recebimento de um elogio, de uma promoção e de uma conquista pessoal para fortalecer a autoestima. De tal forma que elaboro cenas mentais em que me encontro no palco do teatro, atuando dentro de mim mesma, sendo protagonista da minha própria vida. E assim, desta forma, fazendo uma associação a momentos agradáveis, aumento a sensação de prazer que me impulsiona para continuar persistindo. 

Assim, age o herói, se dissocia do medo do dragão e se associa a satisfação de salvar a princesa.

Descobri que a arte de viver é registrar fatos desagradáveis de forma dissociada, isto é vendo do lado de fora, e os fatos agradáveis de forma associada, estando dentro da cena. É importante antes de dissociar, tirar o aprendizado pois tudo na vida tem valor de mensagem.

Nada acontece sem um propósito. 

Hoje, percebo o quanto as dificuldades foram importantes para que eu construísse minha fortaleza interior. Antes de dissociar é importante entender o significado, ou seja o aprendizado embutido no acontecimento. Depois de entender a lição, pode-se diminuir a sensação de desconforto. Mas é importante abraçar o desagradável por maior que  ele seja, pois  quanto maior o dragão, maior a satisfação em vencê-lo.

E foi assim, que eu sobrevivi ao processo da lagarta deixando o casulo… pensando no voo da borboleta.

Tudo está em mudança, nada morre. 
O espírito vagueia, ora está aqui,
Hora está ali e ocupa o recipiente que lhe agrada,
 pois o que existiu já não é, 
e o que não existiu começou a ser e assim,
todo o ciclo de movimento se reinicia

Ovídio

Aprendizados:

1. O que não me mata me fortalece, e a cada dificuldade me torno mais resistente. 

2. Dependendo do desafio, escolho modelos de pessoas que souberam vencer com inteligência. Modelos diferentes para situações diferentes. 

3. Nos piores momentos consigo resgatar as maiores forças.

4. Em situações limites crio alternativas de soluções. 

5. Quando desapego, o sofrimento é menor. Abro mão e penso que lá na frente vem coisa melhor. 

6. Cada desafio vencido, viro a página e espero o próximo

7. Observando aprendo até com os tolos. 

8. Tudo passa

9. Ao invés de reclamar que a vida está me dando pouco, aumento a minha capacidade de receber. 

10. A vida tem um sentido para estas passagens que ela nos propôs. Cada uma delas tem uma coisa para me ensinar

11. Posso entrar na crise por dois motivos: por demérito porque fui desatenta em alguma questão, ou por mérito, ou seja: fiz tudo o que tinha de fazer, cumpri as etapas anteriores, e mesmo assim acontece algo que me empurra para crescer ainda mais e ir para outro patamar.

12. A crise é um sintoma muito positivo, momento de crescer.

Rebeldia

Por entre muros de aço
Voam meus pensamentos alados
E diante do cético
Percebo a esperança

Cegam-me os sensatos
Mas minhas mãos tateiam
As diferentes formas da razão

Decepa-me os membros
Oh! Pai dos medos e das culpas.
Dos confins ressurgirá minha fertilidade

Devoram-me as abomináveis pessoas  
Ditas perfeitas e corretas, porém falsas e estéreis 
E minhas vísceras se enterrarão na cova
Dos que são verdadeiros, autênticos e sinceros

E morrerei criando e crendo,
Mais nos ensinamentos extraídos dos erros dos aprendizes
Posto que, Deus perfeito, criador dos mundos
Abriu espaços para os deslizes
De seus divinos filhos humanos. 

– Magui Guimarães

O Curso PNL da Escola de Ciências Comportamentais está com as inscrições abertas com início das aulas em Agosto, esse é o primeiro passo para grandes conquistas!