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Jornada do Herói com a PNL

3ª Estação: O medo do desconhecido

Se tivesse escolha eu preferia recusar ao chamado e continuar na minha vida familiar estruturada, na qual tinha condições para estudar, brincar, sonhar, e beber da sabedoria dos livros. Se o mundo das ideias me dava asas, agora a fome pede pão. Tenho medo do futuro, sem a mínima condição material para dormir, beber e comer.  Para sofrer menos enrijeci meu coração. Os dias seguintes foram de total escassez e medo do que há de vir.

O gosto pelos estudos e as boas escolas que frequentei me ajudaram a ter uma compulsão pelo conhecimento. No entanto, a busca pela sobrevivência obriga deixar de lado a curiosidade e leitura. Passei a viver na periferia da cidade e de mim mesmo. Qualquer pedaço de pão era uma alegria. 

O Medo

O estômago falava mais alto e tinha medo de me entregar somente as ideias, as reflexões filosóficas e  não ter dinheiro para suprir as mínimas necessidades. 

O que será do meu futuro? 

Como sobreviver perdida em uma selva de pedra chamada São Paulo?

Ainda carregava a Barsa, coleção de livros que tinha a esperança de voltar a ler, um dia. Uma vez, olhando para todos aqueles tomos, montei uma cadeira, e na minha imaginação era um trono de uma rainha que era eu.  Raro momento de felicidade, e logo voltava de novo o medo do futuro, e me relembrava de minha casa que tive de deixar no passado.

Muitos anos depois, voltei a São Paulo, na rua Francisco de Morais e fiquei horas parada, olhando a casa que parecia menor do que eu imaginava, havia se transformado em uma empresa, e tudo era muito diferente. 

Cidade de São Paulo
São Paulo

Lembrei com saudades daquela vidinha do asseio matinal, tomar um café com pão e manteiga, vestir o uniforme e com  o material escolar na sacola,  tomar o bonde para  assistir aulas, voltar para casa, fazer o dever e passear de bicicleta na Chácara Flora para me encontrar com a liberdade. 

Será que se eu tivesse permanecido na minha casa, teria desenvolvido desse tanto como estou agora?

Como uma andarilha buscava nas ruas com minha mãe e meu irmão uma ajuda, um trabalho, e minha mãe lembrou de um cearense que trabalhava na loja da Mercedez Benz, vendendo caminhões e ônibus para o Nordeste.  E foi em um ônibus vendido para Fortaleza que retornei para minha terra.  Em uma cidade com sol, era mais fácil sobreviver do que no frio de São Paulo. 

Minha mãe procurou parentes que nos ajudaram a conseguir um quartinho em uma vila na rua Lauro Maia. 

Embora sem água encanada e luz elétrica, tínhamos um teto. Imaginava as estrelas com as quais estava acostumada a dormir e aos poucos fui me esquecendo delas.

Minhas andanças agora se restringiam a bater de porta em porta pedindo emprego ou qualquer ajuda, e nessas andanças encontrei um rapaz de boa família pelo qual me senti atraída e vice-versa.

Encurtando a história, em pouco tempo estávamos morando juntos em uma casa que mais parecia um buraco de ratos. Mesmo assim, me sentia melhor do que quando dormia ao ar livre no banco de praça da polícia, visando a segurança policial. Se antes era difícil desempenhar os papeis de filha, irmã, estudante, andarilha, após o casamento, sentia-me perdida nos papeis de esposa e mãe.  Muito jovem, ainda absorta diante de tantas mudanças gerei uma criança sem saber o que faria com ela.

Os desajustes emocionais cresciam e navegava em águas turbulentas, sem conseguir conviver bem comigo mesma e com todas as inseguranças a minha volta, e agora com uma criança nos braços.

Nessa etapa, a PNL foi mais uma vez de grande valia para ressignificar e ir adiante.

Exercitei inconscientemente, outra técnica da PNL que é a ampliação da percepção refinada para entrar em contato com as insatisfações e ao invés de fugir delas, encará-las de frente e dar a elas um novo significado –  ressignificá-las, isto é dar um outro significado mais útil. Ao invés dizer que tinha uma filha a mais para me preocupar, passei a dizer que tinha um anjinho me fazendo companhia. Ao invés de dizer que tinha azar, e dizia que tinha a sorte de encontrar carinho de um marido que apesar de ter uma boa família, resolveu ficar junto comigo. 

Decidi encontrar um significado bom para tudo que me acontecia.

O que são as conquistas?

Mesmo vivendo internamente um  turbilhão de emoções contraditórias, e com dificuldades de todas as ordens, apareceu uma boa alma que pagou a inscrição em um concurso do Banco do Nordeste.

Estudei e passei. Finalmente, a vitória de realização do objetivo de conseguir a estabilidade financeira e com ela um outro estilo de vida foi possível, como dormir melhor, ter comida na dispensa, roupas adequadas, mas me faltava a liberdade. 

No mundo competitivo e fundamentado na busca do material, fui cada vez mais me distanciando do meu sonho de escritora. As obrigações profissionais tomavam o tempo que poderia estar sendo empregado nas inspirações e devaneios literários.   

Obrigações

Apesar da melhoria financeira, ainda existia uma profunda insatisfação pois as funções que exercia no Banco me faziam sentir cada vez mais distante daquilo que eu gostava e tinha um talento natural: observar, refletir, escrever e ensinar.  

Trabalhava em uma função rotineira, mecânica e a insatisfação profissional abalou a autoestima agravada por um complexo de inferioridade que me deixava cada vez mais carente, dependente de reconhecimento, elogios e atenção dos outros e para isso criava situações para conquistar admiração de terceiros, a fim de compensar a necessidade de me sentir importante. Em outros momentos dava demonstrações de falsa segurança.. 

Todos percebiam as incoerências e os comportamentos infantis, e eu mais ainda, ao olhar no espelho da minha casa, não mais conseguia me ver. Em meio às lágrimas, procuro por mim. 

No ambiente de trabalho havia um mundo de competição e de poucos amigos, restando-me somente sonhar durante o sono da noite, sonhos que não tinham o menor sentido. Acordava confusa e os dias e noites passavam sem que nada de grandioso acontecesse. Passei então a direcionar a minha imaginação para criar histórias de situações que envolviam magia e símbolos.

O mundo dos símbolos

Anos depois, ao conhecer a PNL descobri que usei uma técnica mental, de entrar no mundo hipnótico dos símbolos, de usar as metáforas para viver as aventuras das histórias dos heróis contadas nos livros e, com a imaginação, conseguiam vislumbrar heróis que avançavam diante do desconhecido apesar do medo.

Aprendi a usar o simbólico para compreender o que a racionalidade não era capaz de ensinar. Usei da imaginação para criar um espaço onde pudesse respirar. 

Criei um mundo paralelo,  de noite criava histórias fantásticas e de dia me entediava dentro da mais perfeita mediocridade. Tinha uma desconfiança que algo me sondava.

Símbolos e sonhos

Tive um sonho muito interessante, no qual eu era uma cigarra está saindo da própria cigarra que eu era. A casca dela ficava para trás e ela  nascia em outro plano. A natureza tem estratégias sensacionais para nos fazer refletir.  Resolvi pensar em deixar minha casca para trás e renascer em outro plano. Nesta mesma época surgiu no banco do nordeste, a possibilidade de sair do setor de análise de balanço para a área de Recursos Humanos. 

Criei vida nova, e comecei a ministrar um treinamento de Qualidade no Atendimento. Viajei para quase todas as agências do banco, no pais inteiro, e me senti plenamente realizada. Iniciei minha função de instrutora e dei tão certo que montei uma empresa de treinamento. Renasci tal qual a cigarra.

Aprendizados:

1. O que eu busco, me busca;

2. Dentro do erro tem um acerto. Um erro rompe uma etapa da nossa vida, e é obrigada a nos renovarmos e agir de forma diferente. Se não fosse aquele erro, eu não estaria onde estou. Então não foi tão ruim assim, foi um umbral, foi um portal para uma outra dimensão de vida; 

3. O que é bom para o corpo, pode ser ruim para a alma. Sentir frio e fome foi ruim para o corpo mas fortaleceu o espírito;

4. Mistério é algo que ainda não conheço;

5. O que me acontece é na medida certa que eu posso suportar;

6. A ruptura traz medo, mesmo assim continuo;

7. Cada degrau é um limite a ser ultrapassado;

8. O egoísmo lhe coloca na contramão da lei da vida;

9. Resistir ao crescimento é uma forma de se aleijar;

10. Bondade e inteligência andam juntas;

11. Bons propósitos são guardiões;

12. Se não houver uma fresta, eu vou abrir uma;

13. Aquilo que é realmente meu, ninguém pode me tira; 

A aventura é sempre uma passagem entre o 
Conhecido e o desconhecido
Exige competência e coragem
O medo desaparece
Todos os objetos cedem

Aprendizados:

✔️ Quer queira, quer não, todos estão crescendo;

✔️ O fogo não deixa de existir porque a vela se acaba, ele vai permanecer em outro lugar;

✔️ A vitória não é o que está acontecendo fora, e sim, dentro;

✔️ A maior batalha é vencer a si mesmo;

✔️ As provas reiniciam, quando terminam as provas do ciclo anterior;

✔️ O medo paralisa, o herói avança, apesar do medo.

Troca-se

O vazio de um ser desapaixonado 
Pela pungente dor de não ser amado;

A monstruosa quietude da paz fria e sem sentido 
Pelo rebuliço de um coração dilacerado e vivo;

A apatia de horas sem preocupação
Pela expectativa de uma espera em vão;

O sorriso sem nexo
por motivos para estar perplexo;

O tédio da passiva serenidade
Pela inebriante sensação de novidade;

A mesmice dos monótonos homens normais
Por néctar de inconstantes deuses astrais;

Sensatez, medo e precaução 
Por liberdade e renovação

Uma vida estável e apodrecida 
Por várias mortes repetidas

– Magui Guimarães

O Curso PNL da Escola de Ciências Comportamentais está com as inscrições abertas com início das aulas presenciais em Agosto, a sua jornada quem faz é você!