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O medo de perder o amor

A palavra “amor” é muito cantada porque é pouco vivida. E cada pessoa vive o amor do jeito que imagina que ele seja. Em minha vida, à medida que foi amadurecendo, o amor foi se configurando de vários aspectos.  

Quando jovem imatura, alimentei um amor obsessivo, dependente e ciumento. Queria que o ser amado tivesse olhos somente para mim, o que gerou um desequilíbrio na minha relação com o parceiro, e aos poucos, compreendi a tremenda degradação do amor, beirando o patológico com possibilidades de chegar ao trágico.  

Depois resolvi viver o amor na brincadeira, no flerte, e usava da juventude para me fazer atraente e querida, mas um “amor” sem compromisso, sem profundidade, até perdeu a grança. Muita superficialidade e pouca sensação de completude.   

Outras Formas de Amor e Amar

Passei então a amar as experiências intensas, passionais com todo o romantismo das novelas mexicanas, mas o ciclo se esgotou. Foi como comer chocolate, gostoso e passageiro.  Cansei de amar feito fogos de artifício. 

Passei então a amar viajar e conhecer muitos lugares interessantes, culturas diferentes, museus, aventuras, mas com o tempo percebi que o melhor da viagem era voltar para casa. 

Passei a amar as origens. Lembro-me da satisfação que eu sentia quando o avião pousava em território brasileiro. E com isso, desenvolvi uma mania de sair de casa pensando na delícia do retorno ao lar, ao cantinho onde estava acostumada e me reconhecer como dona do espaço. 

Mas, com o passar do tempo, comecei a ansiar por descobrir o lar de origem, para o qual um dia todos retornaremos. 

Quando as crianças nasceram conheci o amor maternal, sentia-me realizada alimentando os pequenos, cuidando deles ainda indefesos.  Considero o mais puro dos sentimentos, porque deseja o bem do outro, sem esperar contrapartida.          

Outro sentimento belo é amizade verdadeira, com vínculos profundos, um amor virtuoso, desapaixonado, um companheirismo, sem ligação íntima ou carnal. São amigas e amigos com os quais aprendi a satisfação em ajudar e tenho a certeza de que com eles posso contar.

A idade mais avançada me trouxe o amor pelas realizações, que tiveram um efeito terapêutico.  Desenvolvia projetos, executava muitas ações como um antídoto para aliviar o vazio, eliminar os pensamentos destrutivos e construir um estado de serenidade. A atividade me faz sentir viva e querer conhecer mais.

O hábito da leitura foi importante para desenvolver o amor pelas ideias, busquei conhecer pensadores, filósofos, gurus, líderes espirituais, conselheiros, mestres que estimulavam em mim a ânsia pelo conhecimento, o que me fez viajar para Índia e sentir a gratificação de ter experiências mútuas.  

Viagem interior

Agora, procuro viajar para dentro de mim mesma, em busca do meu mestre interior. Passei então, a amar minha companhia, estar sozinha comigo mesma, a ser a minha melhor amiga, aquela pessoa que se curte e se aceita, e assim desenvolvi um amor próprio, um senso de valor e dignidade, um cuidado com o corpo e com a mente, veículos que recebi para atuar no mundo.  

Nesta viagem interior, senti a necessidade de organizar a mente, estudei   Programação Neurolinguística – PNL e aprendi a importância do uso  correto das palavras. 

Passei então a usar o verbo amar de forma adequada. 

Antigamente eu dizia “Eu amo calça jeans”, ou “Eu amo chocolate”, “Eu amo viajar”, “Eu amo praia”, mas agora, digo: “Gosto de calça jeans”, “Amo meus pais” e “Adoro a Deus”.  Afinal, existe um verbo apropriado para cada experiência. A palavra tem uma força vibracional de tal forma que é preciso falar um verbo que define corretamente cada emoção, cada sentimento, pois quanto mais o ser humano é capaz de nominar os seus sentimentos mais consegue discernir a experiência emocional trazendo assim mais equilíbrio.

O ideal é ter uma riqueza de vocabulário para usar a palavra correta que nos estabiliza e enobrece e possibilita criar um estado de grandeza e normalidade.

Com a mente organizada e as palavras adequadas, criei espaços para apreciar o amor a Deus. Embora não saiba explicar, eu sinto que existe um mistério em tudo e acredito em uma força superior, em leis que regem o universo e que tudo tem um sentido, uma lógica, uma ordem sublime.

Até quando nada acontece, há um milagre que não conseguimos ver 

Guimarães Rosa. 

Conclui então que a melhor maneira de amar a Deus, é dedicar-se a coletividade e tive momentos de querer fazer caridade e ter compaixão pelos necessitados. Embora admire os altruístas, aqueles que fizeram sacrifícios para o bem de outras pessoas, ainda me encontro recebendo muito mais do que tenho capacidade de doar. 

Sofro pelos que morrem sem ter completado o ciclo de vida, mas ainda assim, não morreria por eles. No fundo tenho inveja de quem é bom e serve ao outro, simplesmente por  amor ao serviço acima dos seus próprios interesses e de forma despretensiosa. 

Resta-me reconhecer minhas limitações, e confiar que a misericórdia divina criará condições para que minha evolução se concretize, e perceba a necessita de ter amor aos fatos, de tal forma que   todos os acontecimentos, quer agradáveis ou desagradáveis, sejam aceitos como um chamado para evolução. 

Crescimento

Tudo o que me acontece é para regar as sementes que me levam a aprender e crescer. Cada fato é o medicamento certo, prescrito milimétricamente para mim. A vida é justa, e a dor é necessária para que meu ego pare, reflita e escolha o melhor para o meu crescimento. 

Tudo que acontece é para o meu bem. Meu passado não é mais um peso e sim uma escola de vida para o meu aperfeiçoamento, para chegar onde cheguei. Integro o meu passado e amo o meu destino que não sei exatamente como será. Mas me entrego e aconteça o que acontecer, irei extrair um aprendizado. Estou aberta para o que der e vier.

É melhor confiar naquilo que vem pois, a natureza sabe do que eu preciso e traz todos os ingredientes para o crescimento humano.  

Hoje tenho a consciência da necessidade de amar o amor, de retribuir este amor misericordioso do Pai que tem me dado mais do que mereço. O “amor” que está fora, ou seja, nos objetos, nas situações e pessoas, é circunstancial e pode ser perdido a qualquer momento.  Talvez a palavra apego seja mais assertiva para denominar o amor que precisa de uma razão forte para existir. 

O amor não quer nada para si, a não ser a capacidade de amar e se alegrar com o bem do outro, independente do que o outro faça ou seja. Acredito que quem tem medo de perder o amor é porque não o tem dentro de si.   

Tenho esperança de um dia poder sentir o verdadeiro amor que não precisa de nada para se manifestar posto que o amor se realiza em si mesmo e se plenifica no coração de quem o sente. 

A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA – PNL irá lhe ajudar a vivenciar de forma saudável todas as emoções internas e externas e agir na inteligência psíquica e emocional. 

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