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Tag: Páscoa

A Páscoa é um convite…

A Páscoa é um convite…

Quando meus filhos eram crianças, eu escondia os ovos de páscoa em diferentes espaços da casa e era uma alegria quando um encontrava e os outros se apressavam em bisbilhotar as estantes, as gavetas, em cima da geladeira, em baixo da cama…até no meio das flores do jardim.

Às vezes eu dava dicas: “passarinho no ninho” era o mote de que o ovo estava escondido na parte de cima, e “cobra no buraco”, na parte de baixo.

Entre as recordações de crianças ávidas em dar uma mordida no chocolate, lembro do forte símbolo do ovo como semente da vida que desperta de dentro para fora, e do coelho trazendo a ideia do quanto somos férteis para gerar infinitas possibilidades de aperfeiçoamento.

Já assisti inúmeras vezes o filme de Moises levando os hebreus do Egito para a Terra Prometida e até hoje, fico angustiada pensando que não vai dar tempo para passar todo mundo.

Mesmo tendo visto a cena por muitas vezes, fico pedindo para eles andem mais depressa, senão as águas do mar se fecham, e a coisa fica “preta”.

Entendo teoricamente a Páscoa como uma passagem de uma condição de escravos dos instintos para a libertação da alma, um ideal perfeito, mas na prática não é tão fácil a passagem das trevas para a luz. Isto requer vencer os vícios do ego e querer o bem do outro mesmo que este outro não queira o meu bem. No entanto, me percebo não honrando a luz que minha mãe me mostrou no meu primeiro nascimento.

Esta reflexão veio à tona, porque com a pandemia fui tirada da arena, e colocada na arquibancada assistindo de longe a falta de sentido em levar uma vida caótica, repleta de compromissos com foco em interesses individuais, sem sobrar um tempinho para a construção de vida interior.

Toda primavera vem a Páscoa e eu almejo que algo melhor floresça para coroar o meu segundo nascimento para uma vida mais espiritualizada, porém uma outra parte de mim somente pensa na mera sobrevivência.

Teoricamente entendo a necessidade de florescer no jardim do divino, mas o avanço é muito pequeno diante de minha sede de alma.

Há uma distância muito grande entre a centelha que quero ser e a pequenez em que me encontro, e estou cansada de banalizar minha vida quando devia sacraliza-la.

A cada ano, em cada primavera, almejo mais afinidade com a luz que deveria se impor acima de qualquer outro interesse pessoal, mas ainda assim me vejo querendo brigar por uma vaga no estacionamento.

Decepciono-me comigo mesma, respiro fundo, e resolvo começar de novo… O bom soldado treina um pouquinho todo dia. Um dia farei o parto da própria alma, e criarei habilidades para ajudar em outros..

Com setenta anos ja não tenho muito tempo e querendo apressar posso quebrar o ovo de fora para dentro, e dessa forma o pintinho vai morrer. Para que o pintinho viva, o movimento é de dentro para fora, e no tempo dele. Então para não matar o bichinho, o jeito é esperar o momento que a vida sutil desperte de dentro para fora.

A Páscoa em plena pandemia é uma oportunidade de uma páscoa legítima de poder entrar para dentro e desenvolver um movimento interno.

Podemos apressar o nosso despertar espiritual vivendo de forma coerente com as leis do poder superior e através da prática das virtudes plantar algumas sementes, e dessa forma, a cada Páscoa, conseguir um pequeno avanço, sem ser necessário um passo além do que as pernas possam alcançar.

A Páscoa é um momento onde o cenário está montado para convidar o homem a despertar, renascer após conseguir a vitória sobre si mesmo.

Todos os anos é uma chance de fazer o parto da essência divina.

Os ciclos se renovam e ano que vem tem Páscoa de novo, e quem sabe eu consiga algum despertar. Resta-me aceitar que neste ano, por pequeno que seja meu despertar, possa ser pleno, verdadeiro e acima de tudo consciente.

Luzes para todos nós!